Por Fernanda F. Lorenção
Psicóloga · CRP 06/123946
Publicado em 25/01/2022 · Atualizado em 18/06/2026
Quando se decide “fazer terapia”, as pessoas normalmente não sabem que existem diversas abordagens psicológicas.
Para elas, “terapia” é um termo guarda-chuva que inclui todos os tipos de processos psicoterapêuticos.
Essa é uma das razões pelas quais o paciente, assim que der início à sua terapia, precisa conversar com o psicólogo sobre a sua abordagem e como ele pode ajudá-la.
Essa conversa também pode acontecer antes da primeira consulta, durante o agendamento do horário.

Às vezes, um tipo de terapia não é tão eficiente quanto o outro devido à personalidade, as crenças e a natureza dos problemas trazidos pelo paciente.
Assim, pode ser necessário mudar de abordagem para ver os resultados positivos do acompanhamento psicológico.
Para ajudá-lo a entender mais sobre esse assunto, elaboraremos sobre alguns tipos diferentes de terapia neste post.
Quais são os tipos de terapia?
Existem muitas abordagens psicológicas. Algumas são mais apropriadas para o tratamento de vícios enquanto outras, para o de traumas.
Já outras apresentam bons resultados no tratamento da depressão, ansiedade, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), entre outras condições.
A terapia também pode ser aproveitada por quem deseja se conhecer e ter uma vida mais leve.
Quem faz terapia desenvolve uma capacidade maior para resolver conflitos e gerenciar o estresse do dia a dia, além de fortalecer a autoestima e autoconfiança.
Isso, é claro, não significa que as pessoas terapeutizadas não passem por um sufoco ou outro. Elas ainda encontram situações difíceis, se irritam, se frustram, choram e sentem tantas outras emoções.
Conheça nove tipos de terapia abaixo.
1. Psicanálise
A psicanálise é o legado do médico austríaco Sigmund Freud, que estudou o inconsciente humano.
O intitulado ‘pai da psicanálise’ acreditava que as coisas (memórias, crenças, ideais) guardadas em nosso inconsciente afetam o nosso cotidiano.
A terapia com o psicanalista, psicólogo ou profissional da saúde com especialização em psicanálise, acontece da seguinte maneira: o paciente se deita em um divã, encarando o lado oposto ao do profissional, e fala sobre as suas questões emocionais sem restrição.
Essa abordagem é ideal para quem se sente perdido e sem rumo na vida, quem enfrenta problemas no trabalho, quem vive um relacionamento turbulento, quem precisa desabafar e de orientação, entre outros incômodos inquietantes.
2. Junguiana
Também conhecida como psicoterapia analítica, a terapia de Carl Gustav Jung tem como base os sonhos.
O psiquiatra suíço acreditava que os sonhos são a personificação do inconsciente.
Assim, seria necessário analisar os símbolos presentes nesses sonhos para compreender os problemas e a personalidade dos pacientes.
Essa terapia utilizada técnicas artísticas, como desenhos e pinturas, para acessar o inconsciente dos pacientes.
Eles ficam livres para se expressarem através da arteterapia. O psicólogo também pode pedir para que pacientes escrevam durante as consultas.
É ideal para o tratamento de diversas condições de saúde mental e problemas do cotidiano, além de aprofundar o autoconhecimento.
3. Lacaniana
Outra abordagem com base na psicanálise de Freud é a psicanálise lacaniana.
O paciente se deita no divã e discorre sobre uma variedade de assuntos enquanto o psicanalista pesca tendências e padrões em suas palavras.
As falas do paciente são interpretadas meticulosamente pelo profissional durante a sessão.
Ele pode interrompê-lo quando achar necessário para instigar reflexões pertinentes ao assunto.
O tempo de duração das sessões pode ser de 15 minutos ou duas horas.
Não é indicada para quem pretende resolver questões urgentes. Este tipo de terapia é voltado para pacientes com interesse em se conhecer profundamente, e entender as origens de seus comportamentos e pensamentos.
4. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Uma das abordagens psicológicas mais conhecidas é a Terapia Cognitivo-Comportamental.
A TCC é aplicada em uma série de casos, como vícios, baixa autoestima, transtornos de personalidade, desejo de mudar um aspecto da vida (carreira, casamento, aparência, etc) e até psicopatia.
O seu principal foco é, como o nome indica, o comportamento. O paciente chega na terapia com um ou mais comportamentos disfuncionais que lhe causam algum tipo de sofrimento.
No decorrer das consultas, o psicólogo o ajuda a compreender a natureza dos seus pensamentos e emoções e como eles afetam as suas condutas.
Através da mudança de mentalidade acerca da questão problemática, o paciente consegue, então, mudar a sua forma de agir.
Como cada indivíduo possui um tempo único para internalizar os ensinamentos da terapia e fazer mudanças, as consultas de TCC podem ser de médio a longo prazo.
5. Terapia Gestalt
A terapia Gestalt se concentra no momento presente. Ou seja, essa abordagem leva em consideração os ambientes frequentados pelo paciente e as pessoas com quem o paciente convive.
O psicólogo analisa, ainda, a linguagem corporal do paciente durante os encontros.
Os pacientes são encorajados a se tornarem mais conscientes de si durante a terapia.
Deste modo, ele adquire autonomia para navegar o seu presente, desvencilhado de problemas oriundos de experiências passadas e preocupações com o presente.
A partir de então, bloqueios de conduta são identificados e trabalhados para que o paciente consiga sempre seguir adiante com a sua vida.
6. Psicodrama
Esse tipo de terapia pode ser feita em grupo ou individualmente. Através da encenação de situações incômodas, o paciente é conduzido a refletir sobre os seus dilemas e encontrar maneiras mais saudáveis de responder a eles.
Quando feita em grupo, todos os integrantes são levados a refletir sobre o que sentiram durante a encenação. Ninguém é obrigado a participar e, por isso, é uma terapia considerada apropriada até para os mais tímidos.
Pode parecer um simples exercício de teatro, mas o psicodrama possui objetivos específicos, como construir a autoconfiança, estimular a criatividade e incentivar a flexibilidade do paciente ao colocá-lo cara a cara com situações distintas.
Assim, ele acessa os seus recursos emocionais para encontrar novas maneiras de lidar com os acontecimentos e as pessoas.
7. Terapia Positiva
Esse tipo de terapia é voltado às questões associadas ao bem-estar dos pacientes. A abordagem analisa como as pessoas podem encontrar a felicidade e a satisfação com a vida através da cura de seus problemas emocionais.
O psicólogo estuda os pensamentos, sentimentos e comportamentos dos pacientes em busca de qualidades, talentos e habilidades. Deste modo, os aspectos positivos são sempre o foco.
Durante as consultas, competências como gratidão, empatia, otimismo e resiliência são estimuladas através de técnicas psicoterapêuticas.
A intenção é modificar a perspectiva do paciente para que ele sustente uma visão mais positiva e proativa em relação a si mesmo e ao mundo.
Quem anseia ter uma vida equilibrada e mais satisfatória pode se encontrar nesta abordagem.
8. Terapia Humanista
A terapia humanista gira entorno do ser humano. O psicólogo humanista propõe questionamentos acerca da autoimagem e do “eu ideal” do paciente.
Esse, por sua vez, tem a oportunidade de explorar a sua autoestima e autopercepção, encontrando pontos que gosta e desgosta.
Com o apoio emocional profissional, é possível construir um “eu ideal” — uma versão de si mesmo com comportamentos, emoções e pensamentos considerados mais alinhados aos próprios valores e objetivos.
Dessa forma, o paciente consegue traçar planos de ação realistas para aproximar sua autoimagem atual daquilo que deseja ser.
Como escolher o melhor tipo de terapia para o meu caso?
Todas as abordagens psicológicas são efetivas à sua maneira. Elas possuem o mesmo propósito: ajudar as pessoas na resolução de conflitos através da aquisição de autoconhecimento e da cura de feridas emocionais.
Em outras palavras, os métodos e bases científicas de cada tipo de terapia são diferentes, mas o objetivo não difere.
No momento de escolher uma abordagem psicológica, o paciente pode refletir sobre o que pretende alcançar com a terapia.
As seguintes perguntas podem ajudá-lo a definir os seus objetivos:
- Quais são meus objetivos com a terapia?
- Estou disposto a efetuar mudanças na minha vida para atingi-lo?
- Quais mudanças eu faria sem pensar e quais eu levaria mais tempo para fazer?
- Em quanto tempo quero ver resultados?
Dessa maneira, fica um pouco mais fácil compreender que tipo de abordagem seria apropriada para resolver o seu problema.
Você pode levar o restante de seus questionamentos para o psicólogo, e ter uma conversa sobre como a terapia pode ajudar a cumprir os seus objetivos.
A terapia é composta por um esforço mútuo do psicólogo e do paciente.
Enquanto o profissional fornece os caminhos e o conhecimento, o paciente aplica os aprendizados no seu dia a dia e promove mudanças em sua vida.
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Autor: Psicóloga Fernanda de França Lorenção - CRP 06/123946Formação: A psicóloga Fernanda de França Lorenção é formada em psicologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e especialista em saúde com ênfase em saúde da mulher, também pela UNIFESP
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